motivos

um dos motivos da existência desse blog é o meu transtorno mental diagnosticado em dois mil e quatorze. desde essa sentença de morte da minha sanidade mental, eu me meti em muita enrascada. tive casos amorosos que falharam desastrosamente, amizades que pensei que pudessem suportar meus surtos, mas que se mostraram mais fracas que tudo, briguei muito com quem eu mais amo e passei a dar mais valor à minha família e aos meus verdadeiros amigos. as pessoas que eu tinha como muito importantes na minha vida e que preferiram sair dela, eu, dignamente, peço desculpas pelo transtorno literal que vocês viveram comigo, mas, do fundo do meu coraçao, eu peço: mantenham-se longe de mim; vai ser melhor para todos.

queria só resumir o que aconteceu comigo em três anos como uma bipolar: duas crises de euforia e duas crises de depressao. todas muito desastrosas, porém com suas vantagens. perdi pessoas que hoje vejo que realmente nao faziam muita diferença na minha vida e ganhei muitos amigos de verdade em lugares onde eu nunca imaginei estar; bares, cinemas, clínica de saúde mental, enfim, no fundo do poço e na porta de entrada do céu.

meu muito obrigada a todos esses anjinhos que ainda insistem em caminhar ao meu lado e boas-vindas ao meu mais novo anjo: meu primeiro bebê. obrigada também ao pai do bebê, matheus, eu te adoro, você vai ser um paizao, isso eu sei. obrigada também à minha linda e maravilhosa família. eu amo vocês para caralho.

boa semana a todos!

ainda lembro

de quando a gente saía pra fazer nada e tudo. tudo. tudo.

e depois passava um tempao sem se falar. mas parece que a gente sente quando o outro tá mal e aí a gente se fala pra saber como que o outro tá.

eu só nao lembro o que eu disse de tao ruim que você se afastou de uma vez por todas de mim. se eu pudesse voltar atrás, eu voltava. acredite.

acredita, tá? eu gosto demais de você. me atende?

depois

depois de uma deliciosa conversa, vou ali me sentar no sofá que fica perto da janela pra ver a chuva cair. depois de tanto calor e loucura, eis que vem a tao esperada tempestade pra ver se esfria um pouco esse estardalhaço que é a vida.

o melhor é poder sorrir de tudo que aconteceu até agora. sorrir agradecida por cada acontecimento bom e até mesmo os ruins. pensando bem, tem acontecimento ruim que marca mais a nossa caminhada rumo à felicidade desenfreada. pensando bem, melhor nao pensar.

o jeito é continuar andando a passos médios, nem lentos, nem rápidos. também nao se pode deixar a vida levar por levar porque isso é coisa de gentinha.

falando em gentinha, as gentinha-gentalha da nossa turma do ensino médio já tá entrando na vida adulta. olha só: a alana tá grávida, a bruna virou empresária, a jéssica também já até apareceu na globo! loucura, né?

eu sou louca mesmo. a vida é. chega de reclamar. deixa isso pra depois.

A lição de vida da minha vida

texto escrito em 25 de maio de 2008

Desde que me entendo por gente, não lembro de outro conselho a não ser “Vá estudar!”. Desde que tirei aquele seis e meio em história, me lembro como se fosse ontem, na quinta série do ensino fundamental, nunca mais fui a mesma. Lembro do meu pai chorando, completamente desapontado comigo, simplesmente porque eu havia tirado cinco décimos acima da média no boletim; fiquei arrasada. Nunca tinha feito algo que fizesse meu pai chorar. Meu pai. Aquele que de vez em quando quase nunca chorava. Ele ficou por, pelo menos, uma hora fazendo um breve discurso do seu passado sofrido, que, com todo respeito, deve ter sido sofrido mesmo, porque me fez chorar também. Tudo aquilo me deixou tão abalada emocionalmente que eu prometi que, a partir daquele dia, estudaria todos os dias com muito amor, dedicação, disciplina e, principalmente, coragem, porque o conteúdo de história da quinta série é lastimável. Não durou uma semana, e lá estava eu, assistindo televisão, estudando um dia antes da prova toda a matéria acumulada, mas sempre com muita sorte no dia da prova; eu conseguia tirar mais de sete na média! Mas para meus pais não era o suficiente, aliás, nunca é o suficiente. Eles sempre foram acostumados a me comparar com os melhores do colégio (se fosse da classe, mas não…).

Hoje eu estou no segundo ano do ensino médio, e durante todos esses anos tenho ouvido a história do passado de meu pai. E agora piorou, porque da escola pra casa é um longo caminho, ou seja, dá pra ele contar umas três vezes e ainda fazer um resumo no final do sermão e só pra piorar um pouquinho, ano que vem eu termino o ensino médio e acabar-se-á minha “vida boa”.

Eu estava agora há pouco assistindo televisão, quando o interfone tocou. Eu nem tive a curiosidade de me levantar pra ver quem era pela janela. Meu pai foi abrir o portão, e reconheci pela voz quem era: um amigo dele, de trabalho, mas é amigo, que sempre conserta os problemas do meu computador (por isso me simpatizo com ele). Assim que ele adentrou a sala de minha casa, deu de cara com a cena em que estava eu e meu irmão do meio, literalmente esparramados pelo sofá, assistindo televisão, quando nos cumprimentamos. Ele disse “nossa! Incrível! Vocês não estão mexendo no computador!” e eu respondi com o bom e velho “pois é!”. Meu pai engrossou a voz e disse “aqui em casa é controlado agora. A gente tem que ser ruim pra ser bom. Esse negócio de computador atrapalha demais os estudos!”. E começou toda aquela conversa de novo. Hoje eu já ouvi a história do passado do meu pai. Amanhã vou ouvir de novo. Por que eu nunca tomo jeito? Eu já sei o porquê. Minha mãe já me explicou: porque eu tenho muito conforto, luxo, preguiça e nunca passei necessidade; meus pais viveram outra realidade, cheia de problemas e desafios, e graças a tudo o que aconteceu com eles, hoje eu tenho conforto, luxo, preguiça e nunca passei necessidade. Só o sofrimento constrói. E pior que é verdade. Depois de toda aquela mesma conversa e daquela mesma lição de vida que meu pai sempre dá foi que resolvi escrever essa crônica.

Mas não vou abaixar meu topete, tenho a audácia de dizer que sou assim por culpa dos meus próprios pais! Eles não quiseram que eu passasse pelas mesmas situações que eles já estiveram, daí o conforto e o luxo, e daí a preguiça. Mas a partir de amanhã, eu vou ser diferente. Portanto, vou aproveitar o tempo que me resta pra ver mais um pouco de televisão, mexer na internet e dormir. E faltam apenas duas horas para amanhã.

despedida da saudade

autor: anônimo

eu to aqui, meio lá, você entrou no aviao e eu to aérea. eu to away pensando no quanto eu queria que você estivesse aqui e fazer parar essa falta que deixa o coraçao só no traço. É tão minha parte que eu to uma completa incompleta. eu to tentando entender que tipo de vazio pesado é esse que tá vazio. eu to em algum mundo pensando que nao tem graça o domingo que nao dá pra compartilhar do banal ao anormal com você. eu to no calendário contando os dias pra você vir me aterrissar no meu mundo que tem você. eu to organizando minha despedida da saudade.